05/05/2020

Como o Design Thinking ajuda a criar melhores produtos

Por wcalazans

O Design Thinking criou uma revolução na maneira como pensamos sobre o design de produtos, mas, se não nos trouxer resultados mais práticos, se tornará um modismo teórico, sem impacto no mundo real.

Gostaria de tentar tratar duas questões neste artigo:

1. Os processos de design thinking podem ser úteis para os processos fabris?

2. O que está faltando nas práticas atuais de design thinking?

O Design Thinking pode ser prático?

Por definição, o design thinking refere-se às estratégias de pensamento criativo que os designers utilizam durante seu processo de criação. No entanto, o design thinking é agora usado por uma gama mais ampla de pessoas do que apenas designers e tornou-se uma abordagem usada para resolver problemas de maneira mais ampla do que apenas o ambiente de design. Consultorias de design são contratadas para aplicar o design thinking a uma ampla gama de questões sociais e de negócios.

A preocupação principal é com que o design thinking não se torne um chavão, como tantos outros se tornaram, associado à teoria e não à prática. Muitas pessoas especializadas, em design, como os aclamados Don Norman e Jared Spool, já escreveram sobre como o valor do pensamento do design foi modificado recentemente e sugerem que os atuais processos de pensamento dêem espaço a processos de execução, que põe as coisas em uma esfera mais prática.

Onde estão as pessoas?

Para obter resultados práticos do pensamento de design, é necessário que as pessoas apareçam, pensem e façam.

As origens do Design Thinking

Em essência, o design thinking é uma extensão do Método Científico. É um processo comprovado pelo qual você faz observações, cria uma hipótese e depois testa sua validade.

Esse processo de fazer observações, testar teorias e depois generalizá-las para refletir a realidade tem sido a base de quase todas as descobertas científicas. É relevante dizer, então, que esse processo funcionaria bem para a solução de problemas orientados ao design. Esse processo é essencial para descobrir soluções, mas seu objetivo é validar uma hipótese; e esse processo não transforma essas validações em soluções práticas.

O Design Thinking se apóia nesse rigor científico e nos fornece uma maneira confiável de passar de um conceito não comprovado a uma solução validada. Esse é um ótimo processo para produzir um resultado útil. O que isso não faz é fornecer uma maneira de agregar valor ao cliente. Precisamos de outra coisa para nos ajudar a produzir resultados valiosos.

Uma parte do valor

Usando o método científico como ponto de partida, os designers do IDEO descrevem um método para validar idéias e se aproximar de soluções. Isso já é feito há algum tempo por outras empresas e é visto como uma maneira essencial para revolucionar a maneira como melhoramos o design de produtos. Mas esses processos de design thinking são apenas parte do que precisa ser feito.

As equipes que se baseiam exclusivamente em exercícios de design thinking estão perdendo as melhores oportunidades, porque estão fornecendo apenas a primeira parte do valor a ser entregue. No geral, as estruturas de design thinking só podem ser eficazes se usarem os resultados obtidos para produzir outros resultados em seus produtos. É por isso que o Design Sprints vem ganhando muito espaço. Eles não apenas entregam um produto em si (saídas), mas também fornecem respostas (resultados).

Para a maioria, o design thinking é como escrever uma receita. É um guia para o que precisa ser feito, mas não é o resultado final. A menos que alguém leia a receita, junte os ingredientes e ponha a mão na massa, cozinhe ou asse, a refeição não ficará pronta. Depois ainda é preciso provar o produto final, servir aos clientes e saber se eles gostaram ou não; por isso o design thinking não entrega realmente o valor final. As receitas são ótimas porque fornecem as instruções para um resultado garantido e permite repetir os mesmos resultados inúmeras vezes. Se você for a um restaurante e pedir um prato e eles lhe entregarem a receita, você ficaria desapontado. E, no entanto, é exatamente isso que estamos fazendo quando esperamos que o pensamento de design thinking ofereça o resultado final do produto.

A maioria das equipes de produto projeta o pensamento, concentrando toda a atenção nele (pensamento). Que faz sentido, certo? São exercícios de design thinking, então por que você não deveria se concentrar completamente nisso? Infelizmente, a parte do pensamento não leva naturalmente à parte do fazer. O design thinking é apenas o começo do trabalho. O problema é que muitas pessoas o estão usando, com a expectativa de que suas soluções cheguem ao mercado, e isso não acontecerá.

A solução para conectar os princípios do design thinking aos resultados práticos é surpreendentemente simples. Mas isso envolve conversar com as pessoas e a maioria das pessoas de produtos acha isso difícil.

O restante do valor

Nada supera o impacto e a velocidade de estruturas bem pensadas de design. Eles fazem com que as ideias criativas fluam. O design thinking é, seguramente, um dos melhores métodos de se pensar na criação de produtos. É uma combinação de trabalho significativo e diversão criativa. Pensa-se bastante nos problemas, nos esboços das idéias, são realizados exercícios para incentivar o pensamento criativo e depois escolher algumas soluções consideradas e parte-se então para a criação de um protótipo.

Então para-se aí. Num lindo protótipo. Esse protótipo perfeito é uma lembrança muito boa da ideia conceitual inicial. Mas quando você volta ao trabalho, vê toda a dedicação parece ter sido em vão.

Nada prático aconteceu porque muitos exercícios de design thinking não fazem esse trabalho árduo. Eles não levam o protótipo para o mundo e o testam. E, se o fizerem, não usarão esse novo conhecimento para fazer melhorias e depois testar essas melhorias. Eles não dão os próximos passos para transformar protótipos em algo mais funcional.

Por quê? Porque conversar com as pessoas e obter feedback é difícil. Porque fazer produtos reais é difícil.

Você não pode parar de pensar. É aí que as coisas ficam interessantes. O design, com D maiúsculo, procura resolver todo o problema, não apenas a validação inicial. Se tudo o que você tem é um protótipo, você ainda não resolveu o problema. O problema deve estar conectado a uma solução validada pelo cliente. Você não termina o projeto até que exista um vínculo claro entre o problema que está resolvendo e a sua solução – o valor agregado.

Para ser realmente eficaz na criação de soluções de produtos, precisamos de duas coisas: uma estrutura confiável e equipes autônomas. Sem uma dessas coisas, o processo de criação do produto falha e você não pode ter sucesso. Para resolver problemas, você precisa fazer várias coisas difíceis. A maioria dessas coisas difíceis está relacionada à comunicação com outras pessoas.

Antes de falarmos sobre essas coisas, vamos esclarecer como o design thinking é feito atualmente. Em geral, existem duas escolas de pensamento.

A primeira faz uma abordagem de cima para baixo, impulsionada por uma visão para o futuro.

A segunda faz uma abordagem orientada ao cliente, orientada pelas necessidades do público.

Nenhuma dessas abordagens é mutuamente exclusiva da outra. Eles compartilham atributos e existem até alguns cenários em que podem ser usados juntos.

Abordagem top down

Nos casos em que o futuro é algo que seria difícil para as pessoas imaginarem, a primeira abordagem faz sentido. Isso funciona bem para tecnologias inovadoras, como inventar uma nova maneira de se comunicar (iPhone) ou uma nova maneira de se locomover (Uber) ou uma solução de energia inspirada na ficção científica (Tesla). Ao visualizar um estado futuro e validar isso com invenções, uma equipe pode criar algo nunca visto antes.

Abordagem para usuários

Quando as pessoas têm uma necessidade muito clara e conseguem articular essa necessidade, a segunda abordagem funciona muito bem. Iniciando com os problemas do usuário ou cliente e desenvolvendo soluções a partir daí, uma empresa de produtos pode encontrar inovações que se tornam novos produtos ou recursos em produtos existentes. O usuário está basicamente dizendo quais são os problemas deles e você está criando uma solução que atenda às necessidades deles.

O caminho a seguir

Existem várias maneiras de resolver o problema. Realmente não existe um processo de criação de produto perfeito, mas o processo ideal precisa incluir os seguintes atributos:

  • Resolver um problema que valha a pena ser resolvido;
  • Crias soluções potenciais para o problema;
  • Ter um produto básico para testar (por exemplo, MVP);
  • Repetir os resultados dos testes várias vezes;
  • Validação do cliente sobre se o problema está sendo resolvido;
  • Equipes para garantir a colaboração multifuncional;
  • Caminho colaborativo (roteiro ou tema) para mostrar economia escalável;
  • Ciclos contínuos de feedback e testes do cliente.

Os designers só podem ter sucesso no design de produtos se estiverem conversando entre si e com os clientes em potencial.

Falaremos mais sobre isso em outros artigos.

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