06/04/2020

Os celulares mudaram o mundo, para melhor ou para pior?

Por wcalazans

Conte a um jovem como era o mundo antes dos telefones celulares. Já passou por essa experiência? Já viu a cara deles?

Em 1º de janeiro de 1985, quando a primeira chamada móvel do Reino Unido foi feita em um Vodafone transportável VT1 que pesava 4,9Kg; se você quisesse um, teria que gastar cerca de 10 mil Reais.

Interessante que, o que pra nós parece ser mais chocante, não tem o mesmo impacto para os jovens; mas continue a conversa. Conte que não havia Uber. Conte que as viagens, na maioria das vezes eram feiras de ônibus, que se você tivesse um walkman, carregaria com você, com muita sorte, 20 ou 30 músicas. Continue sua viagem pelo passado e conte que em algumas paradas de ônibus havia um telefone público que você podia disputar com outras dezenas de pessoas pra tentar falar com seus familiares; em menos de um minuto para que a chamada não ficasse muito cara, quando a cobrar ou que suas fichas telefonicas não acabassem antes do previsto. As chamadas eram de qualidade ruim e sujeitas a interrupção repentina.

Quando os celulares começaram a se tornar comuns, a diferença que eles faziam em nossas vidas era simples; poderíamos comunicar informações importantes, geralmente de natureza sensível ao tempo, sem estar em casa ou no trabalho e sem depender da disponibilidade de uma linha telefônica fixa.

O aborrecimento que eles criaram – os detalhes domésticos e quotidianos, começaram a ser contados em voz alta em um local público, e parecia patético ver alguém aparentemente tagarelando para si enquanto caminhavam pela rua – era algo diferente e estranho para a geração anterior.

Mas logo depois, ficamos entusiasmados com a inovação adicional de poder transmitir nossas notícias em forma de texto – e nem era preciso falar com um ser humano! Era só digitar e enviar.

Um pouco de história: Evolução dos celulares.

Mas o que seu telefone está fazendo agora?

Consigo falar com meu diretor de negócios e ao mesmo tempo dar uma bronca no meu pet que esta latindo, mas meu interlocutor, do outro lado da linha não ouve os ruidos, pois posso acionar a função ‘mute’. Recebo um alerta sobre o jogo de hoje da Champions League e mais de uma dezena de e-mails de ofertas de tudo: imóveis, carros, produtos esportivos e eletrodomésticos.

As pessoas, na verdade, fizeram do smartphone o seu refugio, pois encontraram nele muito mais que uma chamada a qualquer momento. Nele há diversão e entretenimento – música, podcasts, mídias sociais, fotografias, jogos. É em um smartphone que agora dígito este texto e posso inclusive incluir imagens, vídeos, etc.

Enquanto sigo de Uber para o trabalho, reorganizo minha agenda, faço uma blitz nos meus e-mails, ligo para dois vendedores para falar de projetos e ainda consigo ler um capítulo de um livro em PDF.

Os telefones celulares mudaram a cultura e continuam a fazê-lo; não apenas na natureza da comunicação em si, mas na forma de como distribuir e consumir conteúdo, além do óbvio.

Um exemplo perfeito: o hit Caneta azul, ganhou destaque ao ser milhões de vezes transferida de celular para celular via aplicativo e redes sociais e tornou o seu compositor famoso, em apenas alguns dias.

O compartilhamento de música e outros conteúdos por telefonia móvel é uma resposta criativa a uma situação óbvia: uma maneira de se conectar com a cultura pop, criando uma rede de intercâmbio de conteúdo. Para mim, o exemplo ‘caneta azul’ deixa claro que seria improvável esta música, alcançar a repercussão que teve, não fosse o poder do compartilhamento de conteúdo via celular.

Mas eu preciso disso? Meu mundo é ampliado pelo fácil acesso a qualquer coisa que meus olhos, ouvidos e pensamento possam dar atenção; por outro lado, minha atenção está muito enfraquecida por um excesso de possibilidades. Exemplo: quantos números de telefone você tem memorizado? Você não precisa mais memoriza-los pois seu smartphone tem uma agenda com tantos quantos números você quiser guardar nele.

Sabemos de outros e outros exemplos em todo o mundo, da parte vital que os celulares desempenharam em situações políticas, conectando milhares de manifestantes entre si e com o mundo exterior, documentando abusos, calamidades e vitórias. Sabemos o quanto eles podem ser valiosos no rastreamento de pessoas; da facilidade de localizar alguém e explicar o uso do telefone, em casos de crimes cometidos.

Mas há momentos em que também somos escravizados pela inovação; onde, o que de fato parece nos conectar, pode ser o que está a nos separar – um do outro e de nossa própria experiência de vida. Esse é um pensamento que me vem por vezes, quando vejo várias pessoas em uma sala – mas ninguém se fala, pois estão todos envolvidos em alguma coisa ou atividade na tela do seu celular.

Um concerto é um concerto (e ponto). Mas ele pode ser devidamente apreciado por uma live no YouTube? Um pensamento não twittado vale uma desatenção ao seus filhos ou pais? Se você não registrar sua sessão de ginástica, sua capacidade cardiovascular realmente fará diferença? Um retumbante SIM a todos os três por grande parte das pessoas.

A Deloitte fez um survey com mais de 2.000 usuários de telefone celular no Brasil, que contaram seus hábitos de uso do aparelho.

O resultado do estudo mostra como o smartphone tem se consolidado como um hub de controle de outros dispositivos conectados, e também os aspectos relacionados à segurança de dados e à infraestrutura de telecomunicações no país.

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