Tempos incertos x lições aprendidas

O que é necessário para superar tempos de grande incerteza, como estes que estamos passando? Estamos enfrentamos a pandemia de Covid-19, nossa economia está abalada, desemprego crescente, eleições locais estão chegando…

Como a maioria, também vivo tempos de incerteza em minha vida pessoal e profissional. No lado pessoal, minha principal observação é que a maioria de nós é muito mais resistente do que imaginamos. Deixo para os psicólogos e outros especialistas oferecer conselhos sobre o que é necessário para superar esses momentos.

Mas, quando se trata de passar por momentos difíceis no lado profissional, gostaria de compartilhar algumas lições aprendidas com base em minhas experiências. No início da década de 1990, quando eu acabava de entra no mercado de trabalho, houve uma grande desaceleção econômica, processos de reengenharia levaram muitas empresas a conduzir demissões em massa e quem não tinha certo grau de estudo ou conhecimento ficou muito vulnerável a estas mudanças.

Por anos, empresas que desfrutaram de uma posição de liderança, rapidamente sentiram-se ameaçadas, em parte pela necessidade de invertir em recursos de TI e não dominar ou ter conhecimentos básicos de como fazê-lo. Coisas como microcomputadores, microprocessadores, cliente-servidor, softwares e hardwares, passaram a comandar o dia a dia das empresas. Estes investimentos diminuíam significativamente as margens de lucro enquanto obrigavam todos a se modernizar.

Poucas empresas conseguiam investir em recursos, treinamentos, qualidade e sobreviver. Um grande número de empresas anteriormente bem-sucedidas não sobreviveram a essas transições de tecnologia e mercado altamente disruptivas.

Por que algumas empresas foram capazes de sobreviver enquanto tantas outras não sobreviveram?

Na minha opinião, a sobrevivência no mundo dos negócios é possível por três fatores principais:

1) Talento e investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento;

2) Relacionamentos de confiança; e

3) Liderança sábia.

Investimentos em talentos e P&D.

Ninguém deseja ter que aprender sobre um asteróide que se aproxima da Terra quando ele está prestes a atingi-la e, ter que improvisar sua estratégia de sobrevivência no meio de uma crise.

Pessoas altamente talentosas estão atentas e preveem coisas potencialmente disruptivas e mudanças de mercado, – o equivalente a detectar um asteróide que se aproxima, – anos antes, e se preparam para o novo ambiente, desenvolvendo produtos apropriados e as estratégias de mercado. As empresas costumam ver o investimento em pesquisa como despesas desnecessárias e de baixo retorno. Mas, isso é como não fazer o seguro de sua casa porque a probabilidade de um incêndio ou algum outro evento catastrófico é relativamente pequena.

Por várias vezes, vi técnicos explicando aos seus diretores que mudanças eram necessárias; vi também a tecnologia quase matar o negócio de empresas, que não tinham em seu business, espaço para a ela.

Mas, lidar com coisas novas e altamente complexas requerem uma humildade considerável. No inicio, não estava claro se a nova arquitetura de negocios seria capaz de oferecer suporte a missão crítica da empresa. Somente depois de muitos testes e experimentos nos sentimos capazes a entender que realmente funcionaria. A transição do mainframe para o homem-máquina foi muito desafiadora, mas cada investimento em pesquisa e desenvolvimento e talentos, valeu a pena.

Relacionamento de confiança

Outro fator crítico de sobrevivência são as colaborações com clientes, parceiros de negócios, comunidades de pesquisa e outras partes interessadas. Isso, as vezes, pode levar anos para ser construído. E é particularmente importante se você estiver desenvolvendo soluções sofisticadas e complexas que no início podem não funcionar tão bem. Tente ver esta relação como parte de um ecossistema cujos membros precisam acreditar que pertencem à comunidade e confiam uns nos outros e trabalham juntos para resolver problemas comuns.

“O segredo da longevidade das empresas que atravessaram crises nos anos 90, 2000 e outras, tem menos a ver com máquinas e softwares e mais com relacionamentos sólidos com os clientes”. Essas relações estreitas entre clientes e fornecedores, com o tempo, se tornaram o principal motivo da longevidade das empresas.”

Liderança sábia

Sim. Profundas mudanças na tecnologia, nos modelos de negócios e nos mercados perturbaram o setor de TI nos anos 90 e 2000. E o que vi de alguns líderes sábios fazer e que deu certo foi imbuir a força de trabalho, nesses tempos de crises, de um forte senso de urgência, estimulando-a a lidar com problemas críticos que a empresa enfrentava. Eles buscaram se cercar de executivos que conheciam bem a empresa e, na maioria das vezes, entendiam o que precisava ser feito. Eles também trouxeram alguns especialistas do mercado e souberam mesclar com a mão de obra jovem – consolidando assim experiência considerável e novos talentos, para transformar dificuldades em vantagens, mesmo que isso, em algum momento, precisasse incluir demissões e fechamento de unidades.

Os líderes mais sábios que conheci, ajudaram a reforçar aos clientes que tais ações foram necessárias, reforçando a mensagem aos clientes, que deveriam se sensibilizar e entender que a empresa estava lutando para se manter competitiva e a continuar a resolver problemas complexos e construir soluções de mercado e que, como fornecedora, continuaria firmemente com a parceria.

Em 2020, o modelo atual de competição de mercado não permite que ninguém faça tudo sozinho. Toda empresa, em algum momento é cliente e também fornecedor. Isso torna a empresa mais competitiva e significativamente mais orientada para o mercado e colaborativa.

Espero que essa combinação de talento e P&D, colaborações confiáveis e liderança sábia nos ajudem a superar nossos tempos de incerteza atuais.

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